domingo, 19 de fevereiro de 2012


Hoje é meu aniversário. Isso por si só já seria suficiente para me comover e gerar sentimentos ambíguos. Sempre detestei fazer aniversário. Mas este ano estou vivendo pela primeira vez a experiência de passar esta data longe de todas as pessoas que eu amo e que se importam comigo. E talvez esta seja a experiência que vai mudar meus sentimentos em relação a aniversários, principalmente o meu. Nunca dei muita bola de verdade para esta comemoração. Afinal, parabéns pelo quê? Por você ter sobrevivido mais um ano? Por você ter menos um ano de vida, menos um ano para realizar seus sonhos? Nunca entendi direito por que as pessoas nos parabenizam em nosso aniversário. Aliás, não sou muito adepto desse hábito. Prefiro desejar um feliz aniversário, faz mais sentido. Pois é, e nunca fez tanto sentido. De hoje em diante, não vou só desejar um feliz aniversário para as pessoas com quem me importo, vou desejar também que elas estejam perto das pessoas que amam nesse dia.
Nunca liguei muito para datas. Não de verdade. Sempre celebrei datas mais por inércia social do que realmente por dar valor. Afinal, sempre pensei que um dia é um dia como outro qualquer. Não é em uma data específica que se comemora uma relação, por exemplo. É no dia-a-dia. E, provavelmente, eu não estaria dando a menor pelota para o meu aniversário se estivesse em casa. Mas hoje eu não pensei em outra coisa, o dia inteiro.
Cheguei do trabalho e resolvi seguir algumas dicas que li em uma rápida busca por "coisas para se fazer quando se está sozinho no dia de seu aniversário". Vesti minhas roupas novas, que comprei ontem para me presentear, e saí. Mas a verdade é que eu não tinha nada para fazer na rua além de compras de casa. E foi o que fiz, vestido como se fosse a uma festa. Achei que isso fosse me fazer bem. Não fez diferença alguma. Comprei cupcakes no Starbucks e voltei para o apartamento, exatamente do jeito que temia, igual a uma cena de filme. Sozinho, com um cupcake e nem sequer uma vela para acender.
Acendi um cigarro, em vez disso, e resolvi continuar a minha rotina como se esse fosse um dia comum.
E não comi o cupcake inteiro. Afinal, eu não gosto de cupcakes em dias comuns, não é porque é meu aniversário que iria passar a gostar.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Chega... Cansei! Vou votar no Serra (Carta Aberta)

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.

Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega...

Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. " É uma vergonha! ", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.

Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Brás.

Vergonha, vergonha, vergonha...

Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode? Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo,SBT,Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.

Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim...

Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseria politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco... Quem pode, pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.

Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugarque lhe é devido. Quero minha felicidade de volta.


Estou com muito MEDO. Chega! Assim está DILMAIS.

(autor desconhecido)



terça-feira, 6 de julho de 2010

O Sol

Ontem, sem razão específica, postei um verso que ouvi em uma música boba que dizia "Só vou olhar pra trás pra ver o Sol se pôr". Surpreendentemente, recebi uma resposta que dizia "Algumas vezes o sol nasce atrás da gente, nos obrigando não só a olhar pra trás, como a voltar em direção a ele !!!". Bem, isso me pôs para pensar. Fui e voltei, fiz contas, esquemas mentais, visualizei as metáforas de trás pra frente e de frente pra trás. E, bem, eu cheguei a uma conclusão. Se nos voltarmos em direção ao Sol que se põe atrás, nos desviamos do nosso caminho em troca de uns poucos momentos até que o Sol desapareça. Mas se seguimos o nosso caminho, após um tempo de escuridão, é certo que aparecerá à nossa frente o Sol nascendo e poderemos acompanhar todo o seu caminho no dia que virá. Se o Sol de amanhã é o mesmo de hoje, nunca podemos saber. O que importa é que, independente se é o mesmo ou outro, o Sol que (re)nasce é que ilumina o nosso caminho. O que se põe nos guia em direção à escuridão. Apreciemos a beleza do Sol que se põe atrás, mas caminhemos em direção ao Sol que nascerá.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

That's how music should sound!

Não poderia, depois da noite de ontem, deixar de elogiar essa incrível mulher que é a Elza Soares. Uma rápida busca à Wikipedia respondeu a minha primeira pergunta: hoje ela está com quase 73 anos. Muito vividos. Sua história começou a ser escrita muito cedo, aos 12 anos já estava casada e tendo seu primeiro filho. Aos 19 já havia perdido filho e marido. Sua carreira começou ainda nos anos 50, quando a bruxinha vinda do planeta fome recebeu as maiores notas no então aclamado programa do compositor Ary Barroso. E do planeta fome decolou a nova estrela da música brasileira. Anos depois, casou-se com Garrincha, com quem teve um filho. Novamente Elza perdeu marido e filho.
Hoje a bruxinha já tem mais de 40 discos lançados, e foi escolhida A Voz do Milênio pela BBC de Londres. Ontem então, me deparei com esta pessoa que carrega tanta história nas costas. Mas não é o sofrimento que está estampado em sua cabecinha balançante. É a força. Mesmo com dificuldades de locomoção devido a uma queda sofrida, Elza faz sua apresentação quase inteira de pé. Para quem a viu minutos antes no camarim com extrema dificuldade, é quase impossível acreditar que está ali no palco aquela mesma senhorinha simpática. Elza se transforma. Toma a forma de um Atlas que carrega o mundo nas costas e ainda usa os cabelos para amortecer e tornar a viagem mais agradável.
Confesso que não conhecia tanto da artista quanto hoje gostaria de conhecer. Mas uma coisa foi certa para meus olhos e ouvidos amadores: Elza é a única coisa que já ouvi até hoje que poderia comparar aos grandes nomes da música como Ella Fitzgerald, Louis Armstrong ou Etta James. A pegada jazz de seu samba me fez  sentir como se estivesse nas jam sessions de outrora.
Com Elza, fiz o caminho inverso ao habitual. Já admirava a sua história de vida, e agora passei a admirar infinitamente a grande Artista - sim, com letra maiúscula - que é esta mulher.

terça-feira, 1 de junho de 2010

No limite, ou no limits.

Estive pensando sobre relacionamentos. Não só amorosos, mas familiares, amistosos, profissionais... É engraçado pensar que, em nossas cabeças, cada tipo de relacionamento tem seu score de quanto pode-se cobrar, pedir, doar, ceder. Mas às vezes alguns scores fogem à regra. O que nos faz deixá-los fugir à regra? Não saber colocar limite. É essa a minha conclusão. É importante perceber qual é o SEU limite e qual é o do OUTRO. Esse é o choque que causa a maior parte do desconforto. Quando o outro quer dar menos do que você espera, ou cobrar mais do que você suporta, o desconforto é inevitável. E qual é a primeira reação humana ao desconforto? A esquiva. Mas não é necessariamente a melhor estratégia, apesar de parecer a única opção. Mas o que fazer então? Me parece que discutir o relacionamento não é uma ideia muito plausível se a relação é superficial, ou quando se sabe que não vai adiantar muito. É diferente discutir uma relação amorosa ou uma profissional. E existem diferentes tipos de relações familiares ou de amizades. Sentir-se cobrado por alguém a quem você não atribui um score relevante de cobrança traz a sensação de privação da liberdade. E essa eu acredito ser uma das sensações mais incômodas ao ser humano. A privação do livre-arbítrio, a retirada da autonomia.
Não, não vou chegar a uma conclusão peremptória a respeito desse assunto. Permito-me apenas refletir para melhorar futuras experiências. E deixo meu início de reflexão a quem possa interessar.

domingo, 9 de maio de 2010

Dia das Mães

Em homenagem ao Dia das Mães, vou reproduzir aqui um texto que li há algum tempo, com o qual eu sei que muitas, ou quase todas, as mães se identificam. E fica como uma homenagem à minha. Obrigado por ter sido uma Mãe Má!

"Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:

- Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

- Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".

- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

- Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

- Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci. Porque no final vocês venceram também! E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer:

- "Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo...".

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. E ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão. Ela insistia em saber onde estávamos à toda hora (ligava no nosso celular de madrugada e "fuçava" nos nossos e-mails). Era quase uma prisão! Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia, que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela "violava as leis do trabalho infantil". Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata! Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer. Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).

Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência:

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

FOI TUDO POR CAUSA DELA!

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "PAIS MAUS", como ela foi. EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS!"
(Desconheço a autoria)


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Alice in Wonderland

Quem não se identifica nem um pouco com essa menina bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente da fé. Quem não se sente às vezes tão pequenino, outras vezes tão enorme? Todo mundo em algum momento da vida tem de enfrentar a cabeçuda Rainha Vermelha, que insiste em cortar dos outros aquilo que ela mais repudia em si. Não é raro sermos nós mesmos a Rainha Vermelha, que enfrentamos nos rodeando de pessoas com defeitos, até imaginários, para nos sentirmos melhor aceitos. A Rainha que sente inveja da própria irmã, por achar que ela recebia mais atenção dos pais, e quer, a todo custo, retirar-lhe a coroa.
Alice busca ser aquela que todos esperam que ela seja. A Alice certa, "A" Alice. Mas quem é, na verdade, a Alice certa? A Alice Certa está sempre mergulhada nas lembranças de um passado duvidoso ou de um sonho do vir-a-ser. Ela perdeu a sua muchness, que na minha interpretação é a falta de censura da criança, que encara qualquer desafio sem hesitar. E Alice hesita. Alice não está de pronto disposta a matar, a passar por cima de seus valores, a encarar os monstros que a perseguem. Só por acreditar que tudo não passa de um sonho ela encara os monstros, por achar que eles não podem ferí-la. E então Alice descobre a força que não conhecia. Ela aprende que pode tomar suas decisões e encarar seus desafios sem hesitar.
De repente, o surreal País das Maravilhas se torna um retrato da realidade. O coelho ansioso, a lebre descontrolada, a ratinha valente, o gato misterioso, o cavaleiro infiel, a rainha da pureza e o chapeleiro maluco fazem parte do nosso cotidiano. E quem nunca se deparou com nenhum desses personagens que abra seus olhos, antes que "desaprenda" a enxergar.